Em uma decisão que gerou intenso debate internacional, o governo dos Estados Unidos incluiu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, em 30 de julho de 2025. A medida, anunciada pela administração de Donald Trump, acusa Moraes de violar a liberdade de expressão e autorizar prisões arbitrárias, especialmente em casos ligados à suposta tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 e decisões contra empresas de mídia social americanas. Além de Moraes, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e outros indivíduos brasileiros, como Ciro Daniel Amorim Ferreira e Diego Macedo Gonçalves do Carmo, também estão na lista, que globalmente já sancionou mais de 650 pessoas e entidades por graves violações de direitos humanos e corrupção.
A Lei Magnitsky, criada em 2012 e expandida em 2016 para o Global Magnitsky Act, permite que os EUA congelem ativos, proíbam entrada no país e restrinjam transações financeiras de indivíduos e organizações envolvidos em abusos de direitos humanos ou corrupção significativa. No caso de Moraes, a sanção é vista como uma medida controversa. Especialistas, como William Browder, idealizador da lei, argumentam que a inclusão de um juiz de alto escalão de uma democracia aliada foge do propósito original da legislação, que historicamente visou ditadores como Nicolás Maduro (Venezuela), Vladimir Putin (Rússia) e Kim Jong-un (Coreia do Norte), ou criminosos como o PCC.
Além de Moraes e do PCC, outros brasileiros sancionados incluem Ciro Daniel Amorim Ferreira, acusado de liderar um grupo supremacista branco, e Diego Macedo Gonçalves do Carmo, ligado à lavagem de dinheiro para o PCC. No cenário internacional, a lista inclui figuras como Ramzan Kadyrov (Chechênia), sancionado por tortura e repressão, e Saud al-Qahtani (Arábia Saudita), envolvido no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. No total, pelo menos 23 brasileiros ou entidades com atuação no Brasil estão na lista de Cidadãos Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas (SDN List) do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).
As sanções têm impactos significativos. Sancionados perdem acesso a bens nos EUA, enfrentam restrições em transações com empresas americanas " incluindo cartões de crédito como Visa e MasterCard, Plataformas Digitais " e são proibidos de entrar no país. Há especulações de que outros ministros do STF, como Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, líderes do Congresso, como Davi Alcolumbre e até mesmo Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, acusada por Eduardo Bolsonoro como o "braço financeiro" do Ministro, poderiam ser alvos futuros, dependendo do desenvolvimentos políticos.
No Brasil, o STF ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes indicam que o Judiciário considera a sanção uma tentativa de pressão externa.
Para mais informações sobre a lista completa de sancionados, o site do OFAC (www.treasury.gov) e o Federal Register publicam relatórios detalhados. A decisão promete intensificar as tensões entre Brasil e EUA, com desdobramentos ainda incertos no cenário político e jurídico.
Sancionados Notáveis pela Lei Magnitsky:
1. Alexandre de Moraes (Brasil)
° Cargo: Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
° Motivo: Sancionado em 30/07/2025 pelo governo dos EUA, sob a administração Trump, acusado de violar a liberdade de expressão e autorizar prisões arbitrárias, especialmente em processos relacionados à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 e decisões contra empresas de mídia social americanas. A sanção é controversa, com críticas de especialistas que argumentam não se enquadrar nos critérios tradicionais da lei (violações graves de direitos humanos ou corrupção).
2. Primeiro Comando da Capital (PCC) (Brasil)
° Descrição: Facção criminosa brasileira.
° Motivo: Sancionada em 2021 por ser considerada o grupo de crime organizado mais poderoso do Brasil, envolvido em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão e assassinatos.
3. Ciro Daniel Amorim Ferreira (Brasil)
° Motivo: Acusado de liderar um grupo supremacista branco no Brasil, sancionado por meio de uma ordem do governo Biden que ampliou poderes para atingir pessoas envolvidas em terrorismo.
4. Diego Macedo Gonçalves do Carmo ("Brahma") (Brasil)
° Motivo: Sancionado em 2024 como peça-chave na lavagem de dinheiro para o PCC.
5. Nicolás Maduro (Venezuela)
° Cargo: Presidente da Venezuela.
° Motivo: Sancionado em 2017 por minar a democracia e violações de direitos humanos.
6. Vladimir Putin (Rússia)
° Cargo: Presidente da Rússia.
° Motivo: Incluído na lista por abusos de direitos humanos e corrupção.
7. Aleksandr Lukashenko (Belarus)
° Cargo: Presidente de Belarus.
° Motivo: Sancionado por violações de direitos humanos e repressão política.
8. Kim Jong-un (Coreia do Norte)
° Cargo: Líder da Coreia do Norte.
° Motivo: Sancionado por abusos de direitos humanos e repressão.
9. Emmerson Mnangagwa (Zimbábue)
° Cargo: Presidente do Zimbábue.
° Motivo: Acusado de envolvimento em redes de contrabando de ouro e diamantes.
10. Horácio Cartes (Paraguai)
° Cargo: Ex-presidente do Paraguai (2013-2018).
° Motivo: Sancionado em 2023 por corrupção, incluindo propinas, desvios de dinheiro e contratos suspeitos ligados à exploração de recursos naturais.
11. Hugo Adalberto Velazquez Moreno (Paraguai)
° Cargo: Ex-vice-presidente do Paraguai (2018-2023).
° Motivo: Sancionado em 2023 por corrupção.
12. Carrie Lam (Hong Kong)
° Cargo: Ex-líder de Hong Kong.
° Motivo: Sancionada por implementar a lei de segurança nacional que reduziu direitos e liberdades.
13. Min Aung Hlaing (Mianmar)
° Cargo: Comandante-chefe das Forças Armadas de Mianmar.
° Motivo: Sancionado em 2019 por liderar o genocídio contra a etnia rohingya.
14. Ramzan Kadyrov (Chechênia, Rússia)
° Cargo: Líder da Chechênia.
° Motivo: Sancionado em 2017 e 2020 por tortura, execuções extrajudiciais e repressão contra a comunidade LGBTQIA+.
15. Yahya Jammeh (Gâmbia)
° Cargo: Ex-presidente da Gâmbia (1996-2017).
° Motivo: Sancionado em 2017 por tortura, assassinatos de opositores e jornalistas.
16. Zineb Souma (Gâmbia)
° Cargo: Ex-primeira-dama da Gâmbia.
° Motivo: Sancionada em 2020 por ajudar Yahya Jammeh em crimes econômicos.
17. Saud al-Qahtani (Arábia Saudita)
° Cargo: Assessor do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.
° Motivo: Sancionado em 2018 por participação no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.
18. Gebran Bassil (Líbano)
° Cargo: Ex-ministro das Relações Exteriores do Líbano.
° Motivo: Sancionado em 2020 por corrupção.
19. Fariduddin Mahmood (Afeganistão)
° Cargo: Membro do "gabinete" do Talibã.
° Motivo: Sancionado por fechar escolas para mulheres e meninas após a sexta série.
20. Khalid Hanafi (Afeganistão)
° Cargo: Ministro do Talibã.
° Motivo: Sancionado por perseguição implacável às mulheres.
21. Chen Quanguo, Zhu Hailun, Whang Mingshang (China)
° Motivo: Sancionados em 2020 por envolvimento no genocídio dos uigures em Xinjiang.
22. Elena Anatolievna Lenskaya (Rússia)
° Cargo: Juíza do Tribunal Distrital de Basmannyy, Moscou.
° Motivo: Sancionada em 2023 por ordenar a prisão arbitrária do opositor Vladimir KaraMurza.
23. Ángel Rondón Rijo (República Dominicana)
° Cargo: Empresário.
° Motivo: Sancionado em 2017 por atuar como operador financeiro da Odebrecht em esquemas de corrupção.
24. Roberto José Rivas Reyes (Nicarágua)
° Cargo: Presidente do Conselho Eleitoral Supremo.
° Motivo: Sancionado em 2017 por corrupção e violações de direitos humanos.
25. Julio Antonio Juárez Ramírez (Guatemala)
° Cargo: Deputado.
° Motivo: Sancionado em 2017 por corrupção e violações de direitos humanos.
26. Prophane Victor (Haiti)
° Cargo: Ex-parlamentar.
° Motivo: Sancionado em 2024 por apoiar gangues que cometeram abusos de direitos humanos.
27. Dan Gertler (Israel/República Democrática do Congo)
° Cargo: Bilionário com interesses em mineração.
° Motivo: Sancionado por corrupção em larga escala.
Observações:
° Brasileiros na Lista: Além de Alexandre de Moraes, o PCC, Ciro Daniel Amorim Ferreira, Diego Macedo Gonçalves do Carmo, e indivíduos ligados ao Hezbollah e à AlQaeda com atuação no Brasil (como Haytham Ahmad Shukri Ahmad Al-Maghrabi, Mohamed Sherif Awadd, Ahmad Al-Khatib) estão na SDN List, totalizando pelo menos 23 brasileiros ou entidades ligadas ao Brasil.
Fontes e Notas:
A lista não é exaustiva, pois a SDN List contém mais de 3 mil páginas e inclui sancionados por outros mecanismos legais além da Lei Magnitsky.